22 abril 2009

Era com PADRES!!! Agora, também, BISPO? É verdade mesmo?!

Religião "Bispo vermelho" reconhece o filho

Crise económica e luta contra a corrupção preocupam mais os paraguaios do que o "escândalo" do presidente quando ainda exercia a missão episcopal

Rui Osório, jornalista e cónego
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que foi bispo católico, reconheceu legalmente o seu filho, Guillermo Armindo, que fará dois anos em 4 de Maio, concebido quando ainda exercia a sua missão episcopal. A mãe da criança, Viviana Carrillo, tem hoje 26 anos e o então bispo Fernando Lugo administrou- lhe o sacramento da Confirmação.

O presidente do Paraguai está disposto a assumir todas as responsabilidades que derivam da sua paternidade, requerida em processo por Viviana Carrillo. O filho que agora reconhece nasceu em 4 de Maio de 2007, cinco meses depois de Lugo ter renunciado ao seu estado clerical, em 21 de Dezembro de 2006, para entrar na luta política que o levaria à Presidência da República.

Os seus antigos companheiros bispos confessam que todos somos pecadores, mas Fernando Lugo não deveria ocultar a sua relação com Viviana, desde quando ela tinha apenas 16 anos, e muito menos sabendo-a grávida, quando ainda era bispo. A Conferência Episcopal do Paraguai emitiu um comunicado pedindo "perdão pelos pecados dos membros da Igreja Católica, tanto sacerdotes como fiéis".

Fernando Lugo "devolverá a si mesmo" a metade do seu salário, ao qual tinha renunciado ao assumir o Poder, para fazer frente aos gastos com os cuidados e a manutenção do seu filho. "Aqui e agora, perante o meu povo e a minha consciência, manifesto, com a mais absoluta honestidade e sentido de dever, transparência em relação à polémica suscitada por um processo de paternidade, que tive um relacionamento com Viviana Carrillo. Assumo todas as responsabilidades decorrentes desse facto e reconheço a paternidade do menino", disse o presidente do Paraguai.

Os paraguaios estão muito mais preocupados, dizem os analistas, com os efeitos da crise económica e com os esforços para acabar com a corrupção no país do que com o "caso" do ex-bispo Fernando Lugo. Mesmo assim, o presidente fica mal na fotografia.

Apesar de a Conferência Episcopal ter pedido "perdão pelos pecados" dos seus elementos, o bispo da província de Salinas, Mario Melanio Medina, elogiou a "honestidade" do presidente: "Foi um acto de valentia e sinceridade. Mais vale tarde do que nunca". "Acho sensacional que ele reconheça ser o pai e esteja disposto a reconhecer a criança e a prestar-lhe todo o auxílio", afirmou a ministra da Mulher, Gloria Rubin.

Trocou missão episcopal pelo combate político

Fernando Lugo, conhecido como "bispo vermelho", teve de renunciar à missão episcopal para concorrer à presidência da República do Paraguai. Ao vencer as eleições, pôs termo a 61 anos de poder ininterrupto do Partido Colorado e prometeu colocar o segundo país mais pobre da América Latina no século XXI. A Santa Sé retirou-lhe o reconhecimento do seu múnus episcopal, depois de, anteriormente, o ter aconselhado a deixar a luta política, renúncia que recusou aceitar e o levaria a conquistar o Poder.

http://www.agazetanews.com.br/not-view.php?not_id=29608


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