05 abril 2009

INACREDITÁVEL

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16/11/2005

Confissões obscenas.
ISTOÉ revela o diário de um padre pedófilo que relata suas experiências e conta como conquista suas vítimas.

Matéria de: Alan Rodrigues

Para boa parte das mães beatas, ver um filho se tornar coroinha é
como alcançar uma graça. E essa "dádiva" foi conseguida pela goiana
Patrícia Teixeira dos Reis, 31 anos, na última Páscoa. Na missa de 27
de março, o garoto V.R.D., dez anos, um de seus três filhos, subiu ao
altar da Paróquia do Imaculado Coração de Maria, em Alexânia (GO),
para ser consagrado. Mal sabia Patrícia que aquela cerimônia marcaria
o início de um calvário. Depois de cinco meses como auxiliar do padre
Édson Alves dos Santos, 64 anos, V.R.D. revelou à sua avó, dona Iraci
Teixeira, professora de catequese há 20 anos, tudo o que acontecia
atrás da sacristia. "O padre faz comigo igual o homem faz com a
mulher", relatou. "Ele tira minha roupa, levanta a batina, me coloca
no colo, fala para eu ficar tranqüilo e diz que aquilo é a prática da
penetração", contou o garoto. A avó, estarrecida com o que ouvira,
comunicou o relato a Patrícia, que imediatamente o levou ao médico e
à polícia. Todos os exames confirmaram: V.R.D. foi vítima de abusos
sexuais.

Depois de o menino contar o segredo para sua avó, outros dois
coroinhas fizeram, na polícia, relatos semelhantes. Apesar disso,
padre Édson continua celebrando missas, só que em capelas na região
rural da cidade de Alexânia. "Jamais imaginei que isso pudesse
ocorrer. Esse padre proibia até que mulheres entrassem de saia na
igreja", lembra Patrícia. "Ele diz aos garotos que tudo o que fazem é
um segredo entre eles e Deus." Valdivino Clarindo, advogado do padre,
nega a versão dos coroinhas. "Padre Édson tem indícios de disfunção
sexual, portanto não poderia cometer os crimes que lhe são
atribuídos", afirma. Não é o que afirma a polícia nem os exames
médicos realizados nos garotos.

Crimes como o descrito pelo menino V.R.D. não são novidade no
interior da Igreja. "Nos últimos três anos, cresceram em 70% as
denúncias de abusos sexuais praticados por religiosos no Brasil", diz
Regina Soares Jurkwicz, doutoranda na Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC) e autora do livro Desvelando a política
do silêncio: abuso sexual de mulheres por padres no Brasil. Na semana
passada, um outro caso expôs essa ferida. O padre Félix Barbosa
Carreiro, 43 anos, de São Luís (MA), foi flagrado num quarto de motel
acompanhado de quatro adolescentes recrutados pela internet. "Sei que
outros 12 padres fazem o mesmo", acusou o padre. Diante dessa crise
moral, o papa Bento XVI, ex-chefe da Congregação da Doutrina da Fé –
órgão do Vaticano encarregado de investigar as denúncias de abuso
sexual na Igreja –, despachou para o Brasil, em setembro, uma
comissão para investigar o que ocorre longe das vistas dos fiéis. O
quadro encontrado pelos representantes da Santa Sé não é nada
animador. Há, no Brasil, cerca de dez padres na cadeia, condenados
pelos crimes de abuso sexual. Há, ainda, aproximadamente 40
religiosos fugindo de mandados de prisão, muitos deles, segundo as
investigações do Vaticano, acobertados pela própria Igreja.

Diários do pecado – Em pelo menos dois casos, religiosos chegaram a
redigir diários narrando suas perversidades. Um deles, cuja cópia
ISTOÉ teve acesso, contém um verdadeiro "manual do padre pedófilo",
no qual o religioso descreve as fórmulas que ele acredita
serem "seguras" para conquistar crianças. O diário faz parte de um
processo que transita sob segredo no Tribunal de Justiça de São
Paulo. O diário chegou às mãos da polícia por intermédio de uma
religiosa, a quem o padre havia entregue seu caderno por engano. Como
já havia uma denúncia na delegacia, a religiosa encaminhou o diário
ao delegado Paulo Calil, na Delegacia de Agudos (SP). "Era a prova
que faltava para podermos prender o padre", diz o delegado.

Em suas anotações, o padre Tarcísio Tadeu Sprícigo, 48 anos, de
Agudos,
hoje preso e condenado a 15 anos por haver violentado sexualmente um
garoto
de cinco anos, descreve a forma como persuadir as
crianças: "Apresentar-se sempre como dominador. Ser carinhoso e não
ser apressado. Nunca fazer perguntas, mas ter certezas. Conseguir
garotos seguros e carentes, que não
tenham pai e que sejam pobres. Jamais se envolver com garotos
riquinhos", revela o diário. Antes de ser preso, mas depois de já
terem sido feitas as primeiras denúncias contra o padre, a Igreja o
transferiu do interior paulista para uma paróquia em Goiás. No novo
endereço, o padre é acusado de haver violentado outras duas crianças.
Nesses casos ainda não há sentença judicial. "Entreguei meu filho ao
padre como se estivesse entregando a Deus", lamenta Aparecida da
Silva, mãe de uma das vítimas.

Outro diário, do padre Alfieri Eduardo Bompani, 45 anos, é ainda mais
revoltante. Ele foi preso por abusar sexualmente de crianças com
idades entre seis e dez anos, em um sítio que mantinha na região de
Sorocaba (SP) e que jurava destinar-se a obras sociais. Além do
expediente de manter um diário, o padre gravava em vídeo as cenas de
sexo que praticava com os meninos. A polícia ainda encontrou em seu
poder os rascunhos de um livro de contos eróticos que ele estava
escrevendo, baseado em suas próprias experiências. O padre descrevia,
com detalhes sórdidos, no que ele chama de "5º diário", sua relação
com os meninos que viviam no sítio Nazaré: "Há dois dias não encoxo
ninguém. Me masturbei duas vezes ontem, sendo uma delas com o V.
(seis anos). Ele chupou meu c... Tomei cerveja e uísque e comi o F.
(nove anos), mas não ejaculei." As vítimas desse padre eram crianças
de rua, recolhidas por ele, com a desculpa de livrá-las das drogas.

Números alarmantes – O trabalho realizado pelos enviados do Vaticano
é guardado como segredo de confessionário. ISTOÉ, porém, teve acesso
aos relatórios que mostram um preocupante perfil dos religiosos no
Brasil. Um dos capítulos desse estudo trata especificamente das
relações de padres e seminaristas com a questão sexual. O documento
registra que cerca de 1,7 mil padres – 10% do total – no País estão
envolvidos em casos de má conduta sexual, o que inclui abuso sexual
contra crianças e também contra mulheres. A pesquisa revela ainda que
cerca de 50% dos padres não mantêm o voto de castidade. Nos últimos
três anos, a pedofilia no interior da Igreja Católica no Brasil já
remeteu mais de 200 padres para clínicas psicológicas da própria
instituição. O problema é que a hierarquia eclesiástica brasileira,
ao contrário do que aconteceu nos EUA – que abriu seus arquivos
secretos à população para identificar, auxiliar e reparar as vítimas –
, prefere manter a política do silêncio. Com isso, abafam as
denúncias e protegem os agressores, tudo em nome de uma lei que não é
a dos homens de bem.

Sofrimento: V.R.D., dez anos, uma das vítimas do padre Edson Alves
Sem escapatória: Padre Félix flagrado em orgias regadas a bebidas e
drogas
Crueldade: Patrícia com a mãe, Iraci.
Fé e referencial católico arrebentados
Condenado, padre descreve
detalhes da perversão
Documento denuncia
abusos ao Vaticano
Os dez mandamentos da impunidade
Política do silêncio
garante impunidade
Padre redige verdadeiro
"manual" do pedófilo
Roma tenta amenizar problema
O que é pedofilia
Crime sexual não só contra
as crianças


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